1974 – A coroação do Kaiser e o segundo título da Alemanha


Disputada na Alemanha, a Copa de 1974 ficou marcada pela histórica seleção holandesa capitaneada pelo lendário Johan Cruyff e pela primeira vez que o time bateu na trave de um torneio mundial.


Com 16 seleções divididas em quatro grupos, o torneio possuía um formato diferente daquele que estamos acostumados a ver hoje em dia, onde os dois primeiros colocados de cada grupo se cruzavam em outros dois chaveamentos, e a anfitriã da Copa do Mundo e campeã da Eurocopa de 1972, a Alemanha Ocidental ficou no Grupo 1, juntamente com a Alemanha Oriental, Chile e Austrália.


Alemanha de 1974 - E - D: Hoeneß, Breitner, Vogts, Grabowski, Müller, Overath, Heynckes, Schwarzenbeck, Cullmann, Maier e Beckenbauer.
Dirigida pelo técnico Helmut Schön, capitaneada por ninguém menos do que Franz Beckenbauer e contando com grandes nomes como Sepp Maier no gol, Paul Breitner e Gerd Müller, a Alemanha Ocidental venceu o Chile com um belo gol de Breitner por 1x0 e ganhou da estreante Austrália por 3x0. O jogo chave do grupo foi exatamente a partida contra a Alemanha Oriental, onde temendo um possível cruzamento com a Holanda no chaveamento final, a Alemanha Ocidental tirou o pé e foi derrotada por 1x0. Com isso, o time ficou na segunda colocação do grupo e fugiu do temido time que era tido como a sensação do momento.


Juntamente com as duas Alemanhas, passaram para a segunda fase Iugoslávia, Brasil, Holanda, a amadora Suécia, Polônia e Argentina, deixando para trás times fortes como Uruguai e Itália. Os destaques da primeira fase ficam por conta das partidas entre Iugoslávia e Zaire e Polônia e Haiti, que terminaram com placares de 9x0 e 7x0, respectivamente.

Os chaveamentos da segunda fase do torneio colocaram Holanda, Brasil, Alemanha Oriental e Argentina no Grupo A e Alemanha Ocidental, Polônia, Suécia e Iugoslávia no Grupo B. Na sua estreia, os alemães venceram a Iugoslávia por 2x0 e depois de levarem um susto, viraram sobre a Suécia e fecharam o placar da partida com uma vitória por 4x2. Fechando o grupo, o time germânico do ocidente venceu a Polônia por 1x0 e se classificou para a final.

No Grupo A, a Holanda passou com sobras. Ganhando de 4x0 da Argentina e de 2x0 da Alemanha Oriental, os holandeses chegaram em Dortmund para a última partida do grupo contra o Brasil precisando apenas de um empate, mas os brasileiros estavam dispostos a proteger o seu título ganhado em 70 e isso desencadeou uma das partidas mais violentas já vistas em Copas do Mundo, muito semelhante à famosa “Batalha de Nüremberg”, protagonizada por Portugal e Holanda na Copa do Mundo de 2006. Apesar das faltas e entradas fortes, a Holanda saiu vitoriosa da partida, venceu o grupo e se classificou para a final. O Brasil terminou o grupo na segunda colocação e posteriormente perderia da Polônia por 1x0 na disputa pelo terceiro lugar.

A partida final foi disputada no já inexistente Estado Olímpico de Munique e colocou duas lendas frente a frente: Beckenbauer e Cruyff. Após ter retardado o começo da partida por alguns minutos por causa da ausência das bandeiras de escanteio, o árbitro apitou o começo do jogo e foi o responsável por desencadear o melhor primeiro minuto já jogado em uma final de Copa do Mundo, onde com um toque de bola preciso, a Holanda envolveu os alemães em seu jogo e logo conseguiu um pênalti à seu favor sem nem deixar que os adversários tocassem na bola. Nesskens então cobrou e converteu, abrindo o placar para o time de laranja e calando as quase 76 mil pessoas que lotavam o estádio naquela ocasião.

Beckenbauer e Cruyff - Munique - 1974. Foto: AP
Foi nesta hora que a frieza do capitão Franz Beckenbauer fez a diferença. Com um comando tático preciso e com uma ótima visão de jogo, ele liderou o time de volta ao jogo, fez com que os alemães anulassem completamente a principal engrenagem do Carrossel Holandês, Johan Cryuff, e após 25 minutos de partida, viu seu time conseguir um pênalti que posteriormente foi convertido por Paul Breiter.

Gerd Müller vira o jogo. Foto: Morgenpost
Aos 43 minutos do primeiro tempo, Gerd Müller virou o jogo e deu números finais à partida antes mesmo do intervalo. No segundo tempo, porém, a Holanda teve muito mais volume de jogo, mas viu Sepp Maier impedir as suas melhores chances de empatar a partida e ainda sofreu o terceiro gol após boa jogada convertida novamente por Müller, que teve seu tento ser mal anulado pela arbitragem e manter o placar em 2x1 para o time da casa. Este foi a segunda vez em que a Alemanha chegou em uma final contra um time favorito e foi a segunda vez que venceu de virada, se tornando então Bi Campeã do mundo e consagrando aquele que posteriormente seria conhecido como o Kaiser, o imperador, Franz Beckenbauer.

O Kaiser e a taça. Foto: AP

"Com muita sorte, campeã do Mundo". Foto: Augsburger Allgemeine


Algumas curiosidades desta Copa:

- Foi nesta edição do torneio que a Taça FIFA, que é atualmente utilizada para premiar os campeões do Mundo, foi utilizada.
- Esta foi a única participação do Haiti em Copas do Mundo
- A fornecedora do uniforme da Holanda era a Adidas, que estampava as famosas três listras nos ombros de suas camisas como forma de Marketing. Por ser um atleta licenciado pela Puma, empresa principal concorrente da Adidas na época, Cruyff retirava uma das listras de suas camisas.
- O goleiro holandês jogava com a camisa número 8.
- Esta foi a primeira edição das Copas do Mundo em que os jogadores usavam números estampados em seus calções.


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