Falta de marcação no ataque e o peso em Kimmich foram evidentes contra o México



Quando a Alemanha enfrenta uma equipe mais fraca tecnicamente e com menos tradição, a tendência da equipe comandada por Joachim Löw é ocupar o campo de ataque e recuperar a posse de bola rapidamente após a perda. O segredo para isso acontecer é sempre cercar o adversário com a bola, atrasar a jogada e dificultar o primeiro passe. Na estreia da Copa do Mundo, o México teve sucesso e infernizou a defesa alemã exatamente por escapar dessa armadilha e encontrar espaço para atacar.

Após a derrota por 1 a 0, Hummels criticou a sua equipe e apontou que ele e Boateng pareciam estar sozinhos contra o setor ofensivo mexicano em alta velocidade. E foi exatamente isso o que aconteceu em certos momentos do jogo. Diversas vezes um jogador mexicano recuperava a bola atrás da linha de meio-campo e encontrava campo aberto para avançar e acionar Javier Hernandez ou Hirving Lozano na corrida. O time dirigido por Juan Carlos Osório criou quatro finalizações a partir de contra-ataques, incluindo o gol, e esse número poderia ter sido muito maior se decisões melhores e mais rápidas fossem tomadas na região da grande área defendida por Neuer.

Boateng foi provavelmente o único destaque positivo na defesa alemã. Ele liderou o time em desarmes, com quatro, um reflexo de como ele se portou bem em duelos individuais. Especialmente no segundo tempo, foi possível ver o zagueiro combatendo os contra-ataques mexicanos na "raiz", aproximando-se do adversário rapidamente na altura do meio-campo para impedir o passe a um companheiro avançando em velocidade. Hummels até salvou a Alemanha em algumas jogadas de perigo mexicanas, mas "compensou" criando outras ao errar passes na altura do círculo central e ao falhar no bote aos atacantes adversários na mesma região do campo, a exemplo de como aconteceu no lance do gol.

Apesar das evidentes falhas defensivas da Alemanha, é necessário dar méritos ao ótimo trabalho do México. "El Tri" também encaixou jogadas em velocidade através de dribles e boas jogadas individuais de Carlos Vela e Hector Herrera, que também brilhou defensivamente com oito desarmes, maior marca da partida. Os dois foram os maiores destaques individuais da equipe ao lado de Lozano. O atacante do PSV Eindhoven infernizou o lado direito da defesa alemã, mas poderia ter provocado estrago semelhante na esquerda, onde também havia espaço de sobra para ataques em velocidade.

Kimmich não só teve o peso de ver Lozano atacando suas costas incessantemente, como também carregou grande responsabilidade no ataque alemão. Aos 23 anos de idade e em sua estreia em Copas, ele foi quem mais tocou na bola (103 vezes) no jogo e sua participação nos lances ofensivos é uma prova de como a Alemanha insistiu na direita. Para efeito de comparação, Plattenhardt teve 31 toques na bola durante o duelo e ficou esquecido na esquerda em certas porções do jogo. Por outro lado, logo nos primeiros 15 minutos da estreia na Rússia, o lateral do Bayern chegou a participar do três jogadas promissoras de ataque, mas não foi por esse setor do campo que os atuais campeões mundiais encontraram o segredo para ameaçar Ochoa.

Mapa de calor da Alemanha no jogo (à esquerda) prova que o lado direito foi muito mais acionado
Na verdade, a Alemanha não encontrou esse segredo em nenhuma parte do campo. O número de 26 finalizações é altíssimo, e nesta Copa do Mundo fica atrás apenas da Argentina, que somou 27 contra a Islândia. Contudo, apenas na cobrança de falta de Toni Kroos o goleiro do México foi realmente exigido. O meia do Real Madrid e Julian Draxler foram os jogadores que mais arriscaram no ataque, sendo responsáveis por 11 finalizações na partida. Mas a maioria deles foi de fora da área ou bloqueado por defensores do México.

A equipe de Joachim Löw teve problemas demais para entrar na grande área adversária em boa condição para finalizar. Mesmo com a constante movimentação de Draxler, Özil, Müller e Kroos, eles articularam poucas trocas de passes que resultaram em um chute próximo à meta. Com o passar do tempo, Osório posicionou sua equipe em um esquema com três zagueiros, o México recuou e quase não tinha mais jogadores em condição para puxar um contra-ataque e aliviar o sufoco. A partida se tornou um puro ataque contra defesa, mas a Alemanha viu poucas alternativas além das bolas cruzadas na grande área - especialmente partindo do lado direito. O time alemão foi quem mais usou esse recurso na Copa até aqui: 28 vezes.

Alemanha teve nove finalizações certas contra o México. Desse total, sete foram de fora da grande área

Não é em todo jogo que o time alemão vai se lançar ao ataque da forma como fez no estádio Luzhniki. E não é todo dia que o México vai ter um desempenho como o do último sábado. No entanto, é fundamental voltar a mostrar como furar retrancas e como evitar contra-ataques, pois desafios semelhantes podem voltar a aparecer em breve na Rússia.

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