Final reuniu os dois jogadores da Bundesliga mais valorizados durante a Copa


A eliminação precoce da Alemanha na Copa do Mundo restringiu drasticamente a possibilidade de um jogador que atua no país estar entre os grandes destaques individuais na Rússia. De fato, nenhum atleta que disputa a Bundesliga esteve na conversa para ganhar a Bola de Ouro da competição. Mas, olhando o copo meio cheio, a final entre França e Croácia reuniu os dois representantes do campeonato alemão que mais se valorizaram ao longo do mundial. Ante Rebic e Benjamin Pavard chamaram atenção em campos russos e já parecem ser alvos de cobiça de diferentes clubes europeus.

Cada um dentro do estilo da sua seleção e das suas características individuais, eles tiveram boas atuações nesta Copa do Mundo e foram decisivos em momentos cruciais para suas equipes. Rebic abriu o caminho para a emblemática vitória contra a Argentina na fase de grupos ao aproveitar presente de Willy Caballero e acertar um belo chute. No quesito beleza, é provável que nenhum gol no mundial supere o de Pavard, contra o mesmo adversário sul-americano, nas oitavas de final. Quanto à importância, ele também deve estar entre os primeiros da lista da seleção francesa no torneio, por representar o empate em 2 a 2, minutos após sofrer a virada.

O curioso é que ambos atuaram em uma posição diferente da qual estão acostumados em seus clubes. O zagueiro Pavard jogou sempre como lateral direito quando foi escalado na Rússia. Diante da incerteza de Didier Deschamps para as laterais da sua equipe, o atleta do Stuttgart apareceu como uma boa resposta. Já Rebic costuma concentrar suas ações pelo lado esquerdo em Frankfurt, enquanto nos gramados russos ele precisou aparecer na faixa direita. No caso dele, a mudança parece ter sido provocada para acomodar Ivan Perisic - que também prefere a esquerda - no time titular.

Rebic na Bundesliga 2017/18: quase sempre do lado esquerdo do campo

Rebic na Copa: escalado na direita mas com liberdade para circular por todo o campo de ataque

Uma das principais características apresentadas pela Croácia nesta Copa do Mundo é o ataque pelas laterais do campo, buscando espaço para levantar a bola na grande área. Rebic foi uma peça importante nessa engrenagem apoiando Sime Vrsalijko pela direita, lado mais usado pela equipe para fazer cruzamentos. Mas o atacante teve liberdade para circular em outros setores do campo, e é numa região mais central do gramado onde ele aproveitou o espaço na frente dos zagueiros para tentar jogadas individuais. Sua atuação na decisão contra a França não foi boa, mas não apaga sua valorização no torneio.

Em número de finalizações, Rebic somou 15 e ficou atrás apenas de Perisic na Croácia. Desse total, dez aconteceram de fora da grande área, aproveitando as oportunidades em que pode se descolar da lateral direita e usar sua habilidade. O jogador do Eintracht ocupou o topo da lista da sua seleção em número de dribles no torneio, com 19. Assim como a maioria de seus companheiros, ele também chamou atenção pela dedicação defensiva. Seu gol contra a Argentina foi um presente, mas ele só foi entregue porque Rebic estava na grande área de Caballero para dificultar a vida do goleiro e aproveitar um eventual erro. Ele só precisa economizar na quantidade de faltas cometidas, pois liderou a Copa do Mundo neste quesito, com 21.

A França é uma equipe que mostrou ser muito sólida quando recua e se defende, cedendo gols em apenas três partidas neste mundial. Além das grandes atuações de N'Golo Kanté, os laterais da equipe também têm uma contribuição importante. Pavard está entre os melhores da equipe em número de desarmes e passes interceptados. Ele teve muitos problemas contra o habilidoso e veloz Eden Hazard na semifinal contra a Bélgica, mas nas demais partidas, incluindo a final, ele teve apresentações boas e os adversários não levaram grande perigo pelo seu setor do campo.

Apesar da sua função ser prioritariamente defensiva, Pavard também mostrou capacidade de atacar. Claro que o seu grande momento nesta Copa do Mundo é o golaço marcado contra a Argentina, mas em um lance da semifinal ele avançou pela direita e chegou a ficar cara a cara com Thibaut Courtois após bom passe de Kylian Mbappé, exigindo uma grande defesa do goleiro. Nem mesmo o desgaste físico da última temporada parece ter trazido um efeito negativo para o francês. O atleta do Stuttgart foi um de apenas quatro jogadores de linha que disputaram todos os minutos de todas as partidas da última Bundesliga. Em solo russo, ele foi poupados do duelo contra a Dinamarca pela última rodada da fase de grupos, assim como a maioria dos demais titulares, mas começou todas as outras partidas do time.

Pavard na Bundesliga 2017/18: atuando como zagueiro, pouco passava da linha do meio-campo 

Pavard na Copa: escalado como lateral direito, tem funções mais defensivas, mas também apoia o ataque

Pavard e Rebic não são os protagonistas das suas respectivas seleções. A Bola de Ouro da Copa do Mundo ficou com Luka Modric e, se fosse para mãos francesas, provavelmente seria entregue para Kylian Mbappé, Paul Pogba ou N'Golo Kanté. Por outro lado, com o desempenho decepcionante da Alemanha e com atuações abaixo do esperado de nomes como Robert Lewandowski e Emil Forsberg, os representantes de Stuttgart e Eintracht Frankfurt na final devem atrair mais holofotes ao longo da próxima temporada da Bundesliga graças ao que fizeram na Rússia.

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